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Ser misericordioso é... alimentar

Depois das muitas festividades da Fé, que mereciam espaço nesta coluna, voltamos a propor reflexões acerca das Obras de Misericórdia sugeridas pela Igreja. Estas Obras não são, de forma alguma, exclusividade da Igreja católica, mas são aplicáveis a toda aquela pessoa de boa vontade. As Obras são catorze, sendo sete corporais e sete espirituais. Jesus disse, determinada vez, ao contar uma história, que esteve com fome e lhe deram de comer. Ao ser perguntado sobre quando acontecera isso, respondeu que, quando fizeram isto ao menor dos seres humanos, foi para ele mesmo que o fizeram.

Ser misericordioso é alimentar. A terra e toda a existência foram criadas para que servissem ao homem, não de forma que o mesmo a destruísse, mas que, conservando-a e fazendo que produza frutos, dela tivesse seu alimento e seu sustento. O alimento sustém a vida, dá-lhe energia e todo o substrato para que possa crescer e produzir, e a natureza produz alimentação suficiente para que mantenha a humanidade. No entanto, a ganância e o egoísmo humanos tapam os olhos dos homens, impedindo que eles, olhando ao redor, vejam que há muitos que não têm o básico para a sustentação.

Poucos têm muito e muitos têm pouco. Esta é uma situação que clama aos céus! A alimentação, como já dito, sustém a vida e mantém a dignidade. Horrível é deparar-se com fotos de crianças africanas que, por carecerem de alimentação, estão, predominantemente, em pele e osso, à margem da morte, porque seus organismos não têm aquilo que o alimento lhes traria: a nutrição. Ousaríamos dizer que, sendo humanas, porque esta qualidade não lhes é tirada de forma alguma, não parecem sê-las.

Quanto esbanjamento de alimentação! Quantos alimentos jogados fora porque não se consegue consumi-los totalmente ou porque se os adquire tão somente por adquiri-los! Quantos banquetes sem necessidade, apenas pelo desejo de tê-los, enquanto tantos gostariam apenas de um prato de arroz e feijão! Quantas reclamações porque a carne “passou um pouco do ponto” ou porque o feijão está “um pouco queimado”! Quantos enchem a boca para dizer que não comem isto ou aquilo, não por não gostarem, mas porque, mesmo não tendo feito prova antes, simplesmente afirmam “não como”, “não gosto”, “não quero”!

Tomara rompermos as cadeias do nosso egoísmo! Queira Deus que, rasgando as viseiras de nosso dia-a-dia, possamos olhar para o lado e, compadecendo-nos dos outros iguais que, por falta de alimento, não têm sua dignidade preservada e favorecida, dando-lhes o básico para o sustento, promover a vida humana. Lutemos por uma sociedade e, assim, um mundo mais justo, a começar por nós mesmos, com muita força e muito vigor.

 

Diácono Filipe Maciel Pereira

Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Viamão

 

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